A noite pesa sobre os ombros,
Os olhos é que se queixam.
O cérebro quer escrever,
As mãos é que não deixam.

A mente enterra-se,
Os braços não mentem.
Os livros chamam,
Os ouvidos não sentem.

A cabeça cai,
O corpo estremece.
Acordo e faço um esforço,
É para minha benéce.

Viro o pescoço,
Distraio o pensamento.
Antes da tempestade chegar,
Aprecio este momento.

As minhas aulas de Geologia foram há pouco invadidas por polémica que eu causei. Para mim, a lua não era um planeta. À custa disso, errei uma pergunta que vinha no Teste Intermédio, para eu classificar como verdadeira ou falsa:

A lua é um planeta geologicamente inactivo

Falsa, julgava eu! Onde foram eles buscar a ideia que a lua era um planeta? Para mim a lua sempre foi um satélite natural da Terra, não um planeta. Resolvi confrontar a minha professora de Geologia que, se me permitem, de competência que deixa a desejar, me diz que não tem a certeza. Ora se a minha professora não tem a certeza, como poderei eu ter?

Resolvi averiguar, por outras palavras, pesquisar no Google, e obtive uns resultados interessantes. Alguém concordava comigo! Afinal eu tinha razão, a lua não é um planeta. Lembrei-me de um trocadilho do meu tio: “Nem tudo o que vem à ‘net’ é peixe”. Não me devia contentar com apenas um resultado, e continuo a pesquisar. Outras pessoas concordavam comigo! Até diziam mal de quem achava que a lua era um planeta. Senti-me com vontade de esfregar estes resultados na cara do autor do exame intermédio e, quiçá, ensinar algo à minha professora.

Ainda descontente, vi no fundo da página, de uma fonte fidedigna um título que me destroçou: “A Lua também pode ser um planeta?”. A interrogação oferecia-me uma réstia de esperança. Li o texto todo, que e passo a destacar:

A confusão instalou-se com a nova definição proposta na passada semana na UAI, segundo a qual todos os objectos que giram em torno do Sol são planetas, excepto se andarem à volta de outro planeta. Mas existe uma outra condição para legitimar o estatuto de planeta: se o centro de gravidade estiver fora do astro maior, então o mais pequeno também passa a ser merecedor do tão prestigiante título(…)

Senti uma ira descomunal. A minha professora já me havia dito, a ciência é dinâmica, mas como raio haveria eu de saber que aquilo que me ensinaram no básico tinha sido alvo de ponderação científica?

Foi preciso a máquina substituir o homem. Desta polémica toda, colocando a indignação de parte, chego a uma única conclusão: a tecnologia ultrapassou o homem. Sabe mais que uma professora, engana qualquer aluno. Lembrem-se sempre: “Nem tudo o que vem à ‘net’ é peixe”.